Hematologia e Mergulho

Mais uma fatalidade aparentemente não relacionada aos standarts da PADI, mas a condição medica preexistente, ocorreu no dia 5/12/2015: uma jovem de 34 anos veio a óbito com mal súbito, suspeita de TEP (tromboembolismo venoso).
Como médica recebo diversos mergulhadores para avaliação, e sempre sigo as orientações da PADI. Fui rever hoje na orientação ao exame médico, qual a recomendação da PADI sobre o assunto trombose e embolia e não encontrei nada. Isso mesmo, não há uma recomendação escrita para o médico investigador sobre esse evento tão frequente.
Quero aproveitar para informar as doenças hematológicas citadas:
EXAME HEMATOLÓGICO
Anomalias resultantes de alterações das propriedades reológicas podem teoricamente aumentar o risco de doença descompressiva. Distúrbios hemorrágicos podem agravar os efeitos de barotrauma ótico ou sinusal e exacerbar a lesão associada ao ouvido interno ou doença descompressiva da medula espinal. A hemorragia espontânea nas articulações (ex.: em hemofilia) pode ser difícil de distinguir da enfermidade descompressiva.
Condições de risco relativo
• Traço de anemia falciforme
• Policitemia rubra
• Leucemia
• Hemofilia/Coagulação prejudicada
Na parte pulmonar e cardíaca tampouco há alguma menção a trombose ou embolia venosa (apenas embolia gasosa).

Nesse ponto concordo com a necessidade urgente de revisão de standarts, é importante alertar ao médico que libera o paciente para atividade do mergulho da importância deste aspecto.

A DAN America tem um capítulo especial sobre trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP) na sessão cardiologia e chama atenção para o risco de TVP e TEP pós viagens, alertando para os principais fatores de risco, a saber:

1- Idade >40 anos
2- Obesidade (IMC>30)
3- Uso de estrógeno (anticoncepcional e terapia de reposção hormonal)
4- Gravidez e puerpério
5- Trombofilia (anormalidades no sangue que aumentam o risco de trombose)
6- Trombose previa ou historia familiar de TVP
7- Câncer em atividade
8- Condicoes medicas graves
9- Uso de cateter
10- Mobilidade reduzida (viagens de aviao por exemplo)
11- Cirurgia recente, hospitalização e trauma

Diante do exposto, é necessário fazer uma história familiar e pessoal mais aprofundada sobre eventos trombóticos e recomendar o uso de meias elásticas no vôo, além de caminhar no avião. Se houver algum sinal de trombose como inchaço nas pernas, tornozelos ou pés, presença de dores na parte posterior da perna (panturrilha) ou mudança de cor /calor na área afetada, abortar o mergulho ate que seja excluído trombose.
Mergulhe sempre com segurança – e isso inclui conhecer seu corpo e perceber os sinais que ele envia.

Autor: Fernanda Santos

Médica hematologista, formada pela Faculdade de Medicina da USP em 1999, Residência em Clinica Médica de 2000 a 2002, Residência em Hematologia e Hemoterapia de 2002 a 2004.

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