Risco de recorrência de trombose venosa nos pacientes com imobilização de membros inferiores

Este artigo fala sobre trombose em pacientes com imobilização de membros inferiores a ideia é responder uma pergunta – quem já teve uma trombose sem trombofilia tem maior risco de ter uma segunda trombose? 

Se sabe que os pacientes com “imobilização da parte inferior da perna têm um risco substancialmente aumentado de desenvolver uma primeira trombose venosa (TV), enquanto o risco em pacientes com história de trombose venosa previa ainda é desconhecido.” 

“Estudo de caso-controle aninhado dentro de uma coorte de 4597 pacientes com uma primeira TV que foram acompanhados ao longo do tempo para a recorrência de 1999-2010 (MEGA follow-up study). Os participantes preencheram um questionário sobre fatores de risco para trombose recorrente, incluindo imobilização nos 3 meses antes de uma recorrência (casos) ou um período aleatório de 3 meses durante o acompanhamento para os participantes sem recorrência (controles). No total, 2723/4597 (59%) participantes retornaram o questionário. Odds ratios (OR), ajustados por idade e sexo, foram calculados para comparar os riscos de recorrência entre os sujeitos com e sem gesso 

2525/2723 participantes (93%) preencheram informações sobre imobilização gessada e foram incluídos na análise (451 casos, 2074 controles). Vinte (1,0%) controles e dez (2,2%) casos relataram ter tido a perna imobilizada nos 3 meses antes da data de controle ou recidiva, OR ajustada 2,4 (95% Intervalo de Confiança 1,1-5,3). Nós cruzamos os dados com os registros médicos desses pacientes. A aplicação de gesso dentro de 3 meses foi verificada em sete (0,3%) controles versus seis (1,3%) casos, levando a um OR ajustado de 4,5 (95% CI: 1,5-14,0), com incidência cumulativa correspondente de 3,2% 

Em nosso estudo, os pacientes com história de TV e de imobilização da perna tiveram um risco 4,5 vezes maior e a incidência cumulativa correspondente aos 3 meses de 3,2%. Com base nesse alto risco, sugerimos cuidadosamente que, nesses pacientes, uma dosagem profilática pode não ser suficiente e as dosagens terapêuticas devem ser consideradas individualmente. No entanto, com o risco de viés e informações desconhecidas sobre a tromboprofilaxia, nossos conselhos devem ser interpretados com cautela. De qualquer forma, a tromboprofilaxia é fortemente recomendada para pacientes com imobilização da perna e história de TV.” 

Opinião: eu acredito que quem ja teve uma trombose tem mais chance de ter outra. Existem coisas na medicina que ainda não conseguimos explicar. Podemos encontrar um fator de risco muito plausivel para o evento, porem não podemos deixar do observar que esse risco existe. Há que se pesar o risco beneficio de um segundo evento, já que demandaria uma anticoagulação perene.  

Autor: Fernanda Santos

Médica hematologista, formada pela Faculdade de Medicina da USP em 1999, Residência em Clinica Médica de 2000 a 2002, Residência em Hematologia e Hemoterapia de 2002 a 2004.

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